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Os seis pontos essenciais para a vida ou “os seis conselhos”, como ensinados pelo mestre budista Tilopa

OS SEIS CONSELHOS
Por Tilopa
(traduções de Ken MacLoad e Nando Pereira)
mi mnoNão lembreDon’t recall
Deixe o que passouLet go of what has passed
mi bsam
Não fantasie
Don’t imagine
Deixe o que pode vir a ser 
Let go of what may come
mi sems
Não pense
Don’t think
Deixe o que está acontecendo agora
Let go of what is happening now
mi dpyod
Não analise
Don’t examine
Não tente antecipar as coisas
Don’t try to figure anything out
mi sgom
Não controle
Don’t control
Não tente fazer as coisas acontecerem
Don’t try to make anything happen
rang sar bzhag
Descanse
Rest
Relaxe, agora, e descanse
Relax, right now, and rest

Ensinamento de Buda

Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.
Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.
Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.
Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.
Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.
Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.
Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.
Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida.

Buda

História Zen

Existe uma história Zen a respeito de um leão que foi criado por ovelhas, e pensava que era uma delas, até que um velho leão o capturou e o levou até um lago, onde lhe mostrou o seu próprio reflexo. Muitos de nós somos como esse leão -- a imagem que temos de nós mesmos não advém da nossa própria vivência direta, mas das opiniões dos outros. Uma "personalidade" imposta de fora substitui a individualidade que poderia ter se desenvolvido de dentro. Nós nos tornamos apenas mais uma ovelha no rebanho, incapazes de nos movermos livremente, e inconscientes da nossa verdadeira identidade.
É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago, e de tomar a iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito. Dance, corra, mexa-se, fale uma língua inexistente -- tudo o que for necessário para acordar o leão adormecido dentro de você.

A razão de se tomar refúgio


Refúgio significa “proteção”. Tomar refúgio é colocar-se sob uma proteção. Em sua natureza original, nosso espírito é puro, livre e feliz. Entretanto, nós desconhecemos essa natureza original, em especial pelo jogo das “emoções conflituosas”, como: o desejo, o apego, a possessividade, a aversão, o ódio, o ciúme, a obscuridade mental etc.
Essas emoções conflituosas são condicionamentos impressos em nosso espírito desde tempos sem começo e sobre os quais praticamente não temos controle algum. Elas são a raiz de nosso sofrimento, de nossas angústias e frustrações, levam-nos a agir de forma a gerar nosso próprio sofrimento, por meio do Karma negativo. Não somos, pois, livres em nosso destino, somos impotentes para preservarmo-nos do sofrimento e da ilusão. Por isso remetemo-nos a essa realidade transcendente que são as Três Jóias: O Buda, o Dharma (seus ensinamentos) e a Sangha (a comunidade).
Tomar refúgio, entrar na via do dharma é, assim, situar-se sob uma dupla proteção:
  • temporária: pelo poder das Três Jóias, somos protegidos dos sofrimentos cuja semente semeamos no passado e que reencontramos agora ao longo de nossa vida;
  • definitiva: aprendemos a conhecer de que maneira as emoções conflituosas nos são prejudiciais e, depois, a desprender-nos das mesmas, recobrando nossa pureza original, as felicidades autênticas, independentes das circunstâncias que nos são inerentes.
Por que as Três Jóias possuem essa capacidade de proteger-nos que nós mesmos não possuímos?
O Buda libertou-se das emoções conflituosas e do Karma e possui a onisciência do Despertar. Nele, todos os defeitos desapareceram e todas as qualidades da pureza do espírito desabrocharam. É infinitamente superior a nós, e por essa razão tomamo-lo como refúgio. O Buda mostra o caminho que conduz ao fim do sofrimento. Sua maneira de guiar-nos é ensinando-nos o Dharma, cuja prática nos conduz à liberação. Por último a Sangha – os que praticam o Dharma e o transmitem a outros – nos ajuda em nossa progressão.
Eis o motivo pelo qual o Buddha, o Dharma e a Sangha são nossos três refúgios.
Em quem tomamos refúgio?
Qualquer que seja a escola do Budismo a que estejamos ligados tomamos refúgio em primeiro lugar nas Três Jóias. O Buda, o Dharma e a Sangha, também chamados de os Três Raros e Sublimes.

O Budismo

" Se você quer curar seu corpo físico, não procure o Budismo. O Budismo só cura os males de sua mente: ignorância, cólera e desejos desenfreados.

Se você quer arranjar emprego ou melhorar de situação financeira, não procure o Budismo. Você se decepcionará, pois ele lhe falará em desapego em relação aos bens materiais. Não confunda, porém, desapego com renúncia.

Se você quer poderes sobrenaturais, não procure o Budismo. Para o Budismo, o maior poder sobrenatural é o triunfo sobre o egoísmo.

Se você quer triunfar sobre seus inimigos, não procure o Budismo. Para o Budismo, o único triunfo que conta é o do homem sobre si mesmo.

Se você quer a vida eterna em um paraíso de delícias, não procure o Budismo, pois ele matará seu ego aqui e agora.

Se você quer massagear seu ego com poder, fama, elogios e outras vantagens, não procure o Budismo. A casa do Buda não é a casa de inflação dos egos.

Se você quer a proteção divina, não procure o Budismo, pois ele lhe ensinará que você só pode contar consigo mesmo.

Se você quer um caminho para Deus, não procure o Budismo. Ele o lançará no vazio. Se você quer alguém que perdoe suas faltas, deixando-o livre para errar de novo, não procure o Budismo, pois ele lhe ensinará a implacável Lei de Causa e Efeito e a necessidade de uma autocrítica consciente e profunda.

Se você quer respostas cômodas e fáceis para suas indagações existenciais, não procure o Budismo. Ele aumentará suas dúvidas.

Se você quer uma crença cega, não procure o Budismo.
Ele o ensinará a pensar com sua própria cabeça.

Se você é dos que acham que a Verdade está nas Escrituras, não procure o Budismo. Ele lhe dirá que o papel é muito útil para limpar o lixo acumulado no intelecto.

Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a Atlântida, não procure o Budismo. Ele só lhe revelará a verdade sobre você mesmo.

Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o Budismo. Ele pode ensinar você a se comunicar com seu Verdadeiro Eu.

Se você quer conhecer suas encarnações passadas não procure o Budismo. Ele só pode lhe mostrar sua miséria presente.

Se você quer conhecer o futuro, não procure o Budismo. Ele só vai lhe mandar prestar atenção a seus pés enquanto você anda.

Se você quer ouvir palavras bonitas, não procure o Budismo. Ele só tem o silêncio a lhe oferecer.

Se você quer ser sério e austero, não procure o Budismo. Ele o ensinará a brincar e a divertir-se.

Se você quer brincar e se divertir, não procure o Budismo. Ele o ensinará a ser sério e austero.

Se você quer viver, não procure o Budismo, pois ele o ensinará a morrer.

Se você quer morrer, não procure o Budismo, pois ele o ensinará a viver."